Após quedas superiores a 20% nos primeiros trimestres, país tem redução de 11,8% de outubro a dezembro. Parte dos estados volta a registrar um aumento nos crimes violentos e causa preocupação.

‘Monitor da Violência’: homicídios caem 19% no Brasil em 2019

Apesar da queda histórica no número de assassinatos em 2019, a redução no último trimestre do ano foi bem menor que a registrada de janeiro a setembro. Após quedas superiores a 20% nos primeiros trimestres, o Brasil teve de outubro a dezembro uma diminuição de 11,8% nos crimes violentos.

Um terço dos estados teve uma alta de assassinatos no período, revertendo uma tendência observada no ano.

Queda menor no último trimestre acende alerta — Foto: Wagner Magalhães/G1

Queda menor no último trimestre acende alerta — Foto: Wagner Magalhães/G1

Santa Catarina, por exemplo, teve um aumento de 23,8% dos assassinatos em comparação com o último trimestre de 2018. Os outros estados que tiveram alta foram: Rondônia, Bahia, Sergipe, Espírito Santo, Amazonas, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Segundo Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, estes dados podem sinalizar “uma reversão de tendência que pode frustrar expectativas da população e colocar milhares de vidas em risco”.

“Mais do que nunca, a gente precisa de controle social, monitoramento e transparência para garantir que aqueles estados que estão fazendo um bom trabalho continuem fazendo e entender quais são os fatores envolvidos no incremento da violência em um terço das unidades da federação”, diz Samira Bueno, do FBSP. “Isso mostra que talvez nós não estejamos diante de uma tendência de redução dos homicídios, e sim um estancamento da crise iniciada em 2017.”

Bruno Paes Manso também lembra que, mesmo com a redução nacional, o número de vítimas de crimes violentos no Brasil segue “alto o suficiente para garantir ao Brasil o primeiro lugar no ranking dos países com maior número absoluto de mortes intencionais violentas do mundo”.

“Resta, portanto, a dúvida. A redução desses dois anos seria apenas uma queda circunstancial, resultado da acomodação momentânea da rivalidade no mercado de drogas? Ou os governos conseguirão passar a mensagem de que matar é um mau negócio, diminuindo a letalidade do crime e mantendo uma queda consistente? A resposta só virá nos próximos anos”, diz Bruno Paes Manso, do NEV-USP.

Para ele, a alta nos assassinatos no último trimestre em nove unidades da federação é um “alerta para os governadores, que devem ficar atentos para não perder o controle da situação”.