Foram finalmente reveladas as despesas dos cartões corporativos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 e Dilma Roussef em 2012. O sigilo com as compras efetuadas pelo cartão corporativo é mantido até o final do mandato, supostamente para proteger a segurança do presidente da República e dos seus familiares. O blog do Lúcio Vaz da Gazeta do Povo, que é um dos mais respeitados jornalistas da capital federal, solicitou ao Palácio do Planalto, por meio da Lei de Acesso à Informação, o acesso a todos os documentos que registram as despesas de Dilma, Lula e Michel Temer. Depois de uma burocrática autorização, os arquivos físicos foram acessados ao longo de quinze dias nas dependências da Presidência da República. Uma síntese pode ser conferida aqui.

Despesas nos cartões corporativos de Lula e Dilma incluem cachaça e gastos extravagantes

De acordo com a reportagem, os gastos de Lula no cartão corporativo chamam a atenção pelo alto consumo de bebidas alcoolicas, quando era presidente. Entre as bebidas, tem cachaça de R$ 390 a garrafa, uísque envelhecido e vodka Absolut. As compras também incluem carnes como picanha especial, filé mignon, bacalhau e muita rabada, que é o prato predileto do ex-presidente.

Uma reportagem também publicada pelo blog do Lúcio Vaz, mostram extravagâncias de Dilma Roussef. As suas compras também incluem cachaça, vinhos, carnes raras e camarão de R$ 230 o quilo. O item mais extravagante, analisado em um período de apenas dois meses de gastos, inclui o aluguel de uma lancha por R$ 30 mil para passear no carnaval de 2012.

Confira dois trechos com compras realizadas em determinados dias pelo ex-presidente Lula:

“No dia 19 de fevereiro de 2010, as compras na Casa do Vinho para atender às necessidades do Alvorada incluíram 6 garrafas de vodka Absolut, 6 de uísque Johnnie Walker Black, 6 de cachaça Havana – por R$ 400 a unidade – e mais 18 garrafas de vinho. A conta fechou em R$ 5 mil. Quatro dias mais tarde, a compra de 12 garrafas de uísque e 3 vodkas foi destinada à Granja do Torto, residência do presidente da República.”

“Nova compra foi realizada em 22 de março de 2010, na mesma loja. Foram mais 7 garrafas de uísque, 6 de vodka e 5 de cachaça Anísio Santiago – também por R$ 400 –, produzida na Fazenda Havana, em Salinas (MG), com envelhecimento de 12 anos. Mais R$ 4 mil na conta do contribuinte. Em abril, novo reforço de 6 vodkas, 6 uísques, 6 espumantes proseccos e 4 cachaças Anísio Santiago, num total de R$ 3,8 mil.”

A maioria das compras eram utilizadas na despensa da Granja do Torto, na recepção de chefes de Estado, em viagens nacionais e internacionais, e em outras situações. O cartão corporativo do governo federal é um cartão de crédito criado para pagar despesas eventuais de pequeno valor e também compras em caráter sigiloso. Ou seja, eles podem comprar quase tudo, como alimentos, combustível, passagens aéreas, medicamentos, material para construção, material impresso, etc.

A assessoria de Lula foi informada sobre a reportagem, que revela compras feitas sob sigilo com cartão corporativo para atender às necessidades do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto, como camarão GGG, bacalhau dessalgado, picanhas, bife ancho, rabada, além de bebidas como uísque 12 anos, vodka Absolut e cachaça Anísio Santiago. O blog também questionou em quais jantares, eventos, reuniões eram servidos esses alimentos e bebidas, e o que era destinado ao consumo pessoal do então presidente Lula.

A assessoria do Instituto Lula respondeu:

“o mandato foi cumprido de acordo com a lei, sem nenhuma tentativa de extensão ou busca de nova reeleição. O governo fazia inúmeros eventos e recepções a chefes de Estado e autoridades estrangeiras, que na época, diferente de hoje, visitavam bastante o Brasil. Tais eventos constam da agenda da presidência da República, que era e continua sendo pública e também pode ser consultada pelo repórter”.

A nota enviada pela assessoria também acrescentou:

“Em 2010 Lula concluiu o segundo mandato de presidente da República, para o qual foi democraticamente eleito pela população brasileira. Tinha 87% de aprovação no final do mandato [foi enviado link para reportagem sobre o tema], o Brasil cresceu 7,5% naquele ano, o país tinha grau de investimento e excelente imagem no mundo. O mandato foi cumprido de acordo com a lei, sem nenhuma tentativa de extensão ou busca de nova reeleição”.”

Confira a reportagem completa aqui neste link, com a análise sobre as despesas no cartão corporativo do ex-presidente Lula, e também esta reportagem sobre o cartão corporativo de Dilma Roussef.

Nota da redação

Por fim, cabe ressaltar que todos os presidentes da República têm salário praticamente infinito. Ou seja, eles podem comprar de tudo, inclusive itens que poderiam ser pagos com o seu próprio salário.