Empresário afirmou que foi complementar informações de depoimento prestado na véspera por mais de 5h sobre suposto vazamento da Operação Furna da Onça.

O empresário Paulo Marinho chegou à sede do Ministério Público Federal (MPF) no Rio, por volta de 13h45 desta quinta-feira (21), para prestar novo depoimento. Na véspera, ele foi ouvido na sede da PF por mais de cinco horas.

Marinho falou sobre o suposto vazamento da Operação Furna da Onça ao atual senador Flávio Bolsonaro, como o empresário denunciara à Folha de S.Paulo. O MPF informou que desarquivou um inquérito policial sobre o suposto vazamento do caso.

Flávio, segundo Marinho, foi avisado por um delegado da Polícia Federal sobre a citação ao nome de funcionários do seu gabinete na investigação, que teria sido “segurada” para depois da eleição – ainda de acordo com a versão do empresário.

Na chegada ao MPF, Marinho esclareceu que foi complementar as informações prestadas na véspera. Ele não deu detalhes sobre o que foi falado.

“Vim aqui a convite do MPF para completar o meu depoimento de ontem da PF. Farei, com todo o prazer, e, após o meu depoimento, eu converso com vocês (da imprensa). Eu disse ontem, e vou repetir agora, que eu estou proibido, por conta de recomendação da PF, de fazer qualquer declaração com relação ao depoimento de ontem porque eles acham que isso pode atrapalhar as investigações. Como eu sou o maior interessado que essas investigações aconteçam da melhor maneira possível, eu estou aqui respeitando as recomendações, sobretudo porque é do meu interesse”.

Entenda o caso
A operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato, culminou na prisão de parlamentares do estado em novembro de 2018. Foi durante essa ação que os investigadores chegaram ao nome de Fabrício Queiroz, suspeito de administrar um esquema de”rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro.

O vazamento da operação teria sido feito por um delegado da PF, segundo Marinho. O empresário foi um dos principais apoiadores da campanha de Jair Bolsonaro e é suplente do senador Flávio Bolsonaro. Várias reuniões do grupo político ocorreram na casa de Marinho.

O senador nega as acusações e atribui a denúncia ao suposto interesse de Paulo Marinho em obter a vaga no Senado.

“O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Dória e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás? Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”, diz Flávio Bolsonaro, em nota.

Suposto vazamento a Queiroz
Outra reportagem da Folha de S.Paulo, desta quinta-feira (21), revela que um inquérito foi instaurado em fevereiro de 2019 pela Polícia Federal para apurar crimes de evasão de divisas praticada por um delegado do Rio Grande do Sul.

A investigação corre sob sigilo e foi baseada com base em um relatório do Coaf de julho de 2018. Segundo a Folha, este relatório cita 10 pessoas, incluindo Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.

Em agosto do ano passado, o então advogado de Queiroz pediu acesso ao inquérito. Ela frisou que ele não constava como investigado ou indiciado e, por isso, não poderia ter acesso integral ao processo.

A magistrada permitiu que o advogado de Queiroz tivesse acesso à cópia do relatório do Coaf que o citava. Segundo a publicação, há suspeita sobre a obtenção de informações sigilosas de investigações da PF.