José Rodrigo Freitas teria recebido R$ 1,6 milhão para supostamente favorecer universidade. Segundo o MP, o ex-fiscal tem patrimônio avaliado em R$ 76 milhões

O ex-fiscal da Prefeitura de São Paulo José Rodrigo de Freitas, conhecido como “rei dos fiscais”, foi condenado pela Justiça a 54 anos de reclusão em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro, após ser acusado de receber R$ 1,6 milhão de propina para supostamente favorecer a universidade Uninove. Ele está preso desde o ano passado.

O G1 procurou o advogado de Freitas, questionou se já foi notificado sobre a decisão e aguarda retorno. Segundo o MP, o ex-fiscal tem patrimônio avaliado em R$ 76 milhões.

O reitor e o pró-reitor da instituição de ensino na época dos fatos – entre 2003 e 2006 – também foram condenados a 10 anos de reclusão, em regime fechado, por corrupção ativa. O MP afirma que irá recorrer da condenação, por entender que eles devem ser beneficiados pela delação premiada, por ajudarem nas investigações. A Uninove colaborou com as investigações.

De acordo com a denúncia, Freitas, como auditor fiscal tributário da Prefeitura de São Paulo, teria solicitado, em diversas oportunidades, vantagem indevida dos representantes da Uninove para a manutenção e reconhecimento da imunidade tributária da universidade frente ao município de São Paulo, referente aos anos de 1998 a 2005.

Ainda segundo a denúncia, a partir de 2006, Freitas teria pedido propina para não impedir a manutenção e o reconhecimento da imunidade tributária referente aos anos futuros. O pagamento foi feito em 64 cheques.

Para ocultar os pagamentos, o ex-fiscal teria determinado a emissão de 49 cheques, dos 64 emitidos para o pagamento de propina, em benefício de empresas e de uma gráfica.

Em agosto de 2018, a polícia achou R$ 100 mil em dinheiro na casa de Freitas. 79 imóveis foram bloqueados pela Justiça, buscando a devolução dos recursos desviados aos cofres públicos.