Arthur Gomes, do Santos: “Se eu visse tudo que a torcida fala, não jogaria mais futebol”

Arthur Gomes vive um bom momento no Santos. Após atuações irregulares sob o comando de Jesualdo Ferreira, o atacante ganhou sobrevida no Peixe com Cuca. E em nova função.

Acostumado a jogar pelas pontas, Arthur atuou no meio-campo nas vitórias contra Ceará e Atlético-MG. Ele foi elogiado pelo técnico e pretende seguir na posição.

“É uma função que me sinto à vontade. Estava analisando os jogos como extremo e por dentro. Tenho chegado com mais força da área, participo mais, movimento mais. Estou gostando muito da posição, professor Cuca enxergou que posso ajudar. Estou dando meu melhor para o time, para que todos rendam e busco meu espaço”, disse Arthur Gomes, em entrevista à Gazeta Esportiva.

O novo desafio no Alvinegro motiva o Menino da Vila de 22 anos a superar a desconfiança do torcedor. As críticas são muitas desde a profissionalização em 2017, a ponto do jogador “fugir” das redes sociais.

Durante o papo com a reportagem, Arthur Gomes desabafou, agradeceu a Marinho e projetou o clássico contra o São Paulo, sábado, na Vila Belmiro.

Veja a entrevista exclusiva abaixo:


O que Cuca tem conversado com você durante essa adaptação ao meio-campo?

“Por mais que por dentro às vezes se jogue de costas também, de ponta recebia mais de costas para o gol e dificultava meu jogo, que é 1 x 1, ir para cima do adversário. Por dentro estou usando muito mais recursos do que eu tenho que quando estava de extremo. Professor me dá dicas, tento extrair ao máximo. Ele sempre fala para eu receber de frente e ir para cima do adversário de frente porque vou levar vantagem”.

O que falta para você se sentir completamente à vontade como meia?

“É a sequência. São dois jogos. No jogo contra o Atlético-MG fiz um gol. Todo jogador precisa de sequência para ganhar confiança, jogar leve. É difícil ter confiança jogando um jogo e outro não. Comigo não é diferente. Com sequência, com certeza vou me soltar mais a cada jogo”.

Todos os jogadores têm falado muito sobre o resgate da confiança no clube. Qual a importância do Cuca nisso?

“Todo jogador precisa de confiança. Qualquer pessoa, na verdade. Pessoas presas, bloqueadas, não fazem o que querem ou planejam. Nós falamos de confiança porque com confiança as coisas acontecem. Cuca nos passa isso, fala que somos uma família e todos podem confiar um no outro. Ele passa essa confiança principalmente para os meninos”.

Eu ouvi que Cuca não te escalou nas seis primeiras rodadas por sentir a sua desconfiança e querer você pronto para jogar. Foi isso mesmo?

“Desde quando ele chegou fala que ia me utilizar. E eu vinha trabalhando, mesmo sem entrar. Mesmo criticado, sem confiança, queria jogar. Estar em campo me deixa feliz. Cuca me colocou no momento certo, ele sabe como ninguém, muitos anos de futebol. Ele sabe quando jogador não está confiante. Ele foi bem nisso, é um gestor de pessoas. Graças a Deus aproveitei o momento, vou recuperando a confiança. Desconfiança do torcedor é normal quando não se vai bem. O mais importante é estar feliz e poder ajudar o time”.

Você falou sobre a desconfiança do torcedor. As críticas a você não são exageradas? Você costuma ler?

“Se eu visse tudo que torcida fala sobre mim, eu não jogaria mais futebol. Isso mexe muito. É necessário saber quem é você de verdade, ter identidade. Se não souber quem é você, potencial, o talento, as pessoas te levam. Eu fiquei mal com coisas que li, sinceramente. Fiquei um tempo sem mexer no Instagram. Mas vi que o que falam não importam. Tem que estar dentro de mim, sei que sou, o que posso render, meu potencial. Deus sempre me dá forças, eu orei para ter forças. E assim seguiu. Todos falam comigo nos treinos, me levantam. Eu me sinto em casa, estou aqui desde os 11 anos. Sou bem tratado por todos. Torcida é apaixonada, não podemos ouvir críticas e elogios não podem entrar no coração. É ter identidade e saber quem você é”.