Eleito aos 19 anos, o vereador Felipe Barone (PPS), agora com 21 anos, é o presidente mais jovem da história da Câmara de Birigui. Seu mandato começa a partir do próximo dia 1º de janeiro de 2019 e um de seus principais objetivos é, finalmente, construir uma nova sede para o Legislativo local, que atualmente funciona em um imóvel alugado na avenida 9 de Julho.

Barone acredita que os presidentes que passaram pela mesa esbarraram em obstáculos que impediram a construção do novo prédio da Casa, previsto para ser erguido na avenida Youssef Mansour. Um deles é o financeiro, uma vez que o projeto que foi elaborado no passado tem um custo muito elevado.

A saída, segundo o pepessista, será avaliar novamente o projeto, pensando em algo mais econômico e condizente com a importância do município. De acordo com Barone, o Legislativo tem condições financeiras para ter sua sede própria.

“Vou tomar posse em 1º de janeiro. Acho que as ideias são melhores trabalhadas com números. Eu só tenho alguns. O resto é só especulação. Com a planilha na mão, junto com o corpo da câmara, a gente poderá estudar melhor”, comentou o presidente eleito da Câmara de Birigui.

Confira a seguir a entrevista que ele concedeu à Folha da Região:

O que te motivou entrar para a política com 19 anos?

Eu me filiei um pouco antes ao partido, o PPS. Por volta dos 15 anos, no ensino médio, eu tive esse anseio, vendo a política como estava. Ela estava precisando de renovação. Na época, passávamos por uma crise econômica e estouraram esquemas de corrupção bilionários. Pensei que aquilo não estava certo. Acho que, junto comigo, muitos vereadores tiveram essa ideia em Birigui. Tanto é que a câmara se renovou bastante. A mesa diretora para o ano que vem é composta só por vereadores de primeiro mandato.

E por que o senhor decidiu se candidatar a vereador?

Candidatei-me para fazer um bem que não estava vendo ser feito em Birigui. Foi um dos motivos também que me levaram a ser candidato a presidente da câmara. Não considerava 100% corretas as mesas diretoras e presidentes que passaram por lá. Eu faria diferente, por isso, me propus a se candidatar a presidente. No caso da candidatura de vereador, foi o mesmo anseio de colocar as minhas ideias em prática, das quais eu sou um grande defensor.

Como foram as articulações para o senhor se candidatar à mesa diretora?

Eu já fazia parte da mesa, como primeiro secretário, tendo o Vadão da Farmácia (PTB) como presidente. A primeira articulação (para o biênio 2017-18) foi bem tranquila. Foi junto com a situação do prefeito Cristiano Salmeirão (PTB), logo após a eleição de outubro de 2016. Não teve nada mais sério. Agora, por volta de dois ou três meses atrás, comecei a ter a ideia de me candidatar presidente da câmara. A ideia surgiu de outros vereadores que me pediram para ser candidato e que disseram que gostariam de fazer parte da mesa diretora comigo. Apesar da idade, a experiência como primeiro secretário me fez amadurecer no conhecimento da esfera administrativa do Legislativo, que é a parte mais importante que um presidente precisa saber. Alguns votos consegui com espaço na mesa, por meio de pessoas que queriam estar com a gente. Acho que encantei a muitos. Se não for o mais baixo, acredito que tenho um dos mais baixos índices de rejeição da câmara. Isso fez com que eu tivesse mais viabilidade para se tornar presidente.

Pelo fato de o vereador da oposição Luiz Roberto Ferrari (DEM) compor a nova mesa diretora, muito se falou de que ela seria de oposição ao atual governo. O que o senhor diz a respeito disso?

O Ferrari, nosso vice-presidente eleito, se considera da oposição. Mas os demais – eu como presidente, o primeiro secretário Fabiano Amadeu (PPS) e o segundo secretário Andrey Servelatti (PSDB) – são considerados da situação. Achei mais pró do que contra a presença do Ferrari na mesa. Uma pessoa que eu considero íntegra e um empresário de sucesso na cidade. Nunca tive problemas com ele. Nossas ideias sempre bateram. Acho que ele tem até demonstrado ao Cristiano que a gente consegue fazer muito mais junto do que separado.

Quais são os seus planos assim que assumir a mesa diretora?

São vários. Um deles é fazer a câmara ter seu prédio próprio, algo que já foi considerado, alguns anos atrás, o plano mais afastado da realidade, mas que, agora, acredito ser possível de realizar. Acho que Birigui, uma cidade com mais de 100 mil habitantes, 17 vereadores e um corpo administrativo da câmara muito bom, merece. O painel de votações é outro desejo da mesa, bem como dos demais vereadores. Hoje, aqueles que votam primeiro são muito prejudicados. Junto com isso, penso que o Regimento Interno da Casa precisa de muitas mudanças. Ele é muito antigo. O mundo precisa se modernizar e a câmara também.

Em relação à construção da nova sede da câmara, um desejo de vários presidentes anteriores, quais são os seus planos?

Os outros presidentes sofreram com muitos obstáculos, um deles é o dinheiro que vai ser gasto, cujo valor não é baixo. Mas a câmara tem total poder econômico. Isso junto com o duodécimo (recursos repassados pelo município ao Legislativo todos os anos). A gente sabe que sobra bastante dinheiro da câmara. São 6% do faturamento do orçamento da prefeitura. Apesar de ser anseio de muitos, não conseguimos dar prosseguimento. O último projeto de sede própria da câmara ficou muito fora da realidade, por isso, ele não pode ser realizado. Acho que não é necessário nada de faraônico para o Legislativo. Deve ser um lugar acessível, com boa localidade, em um amplo terreno, afinal, serão cerca de 20 salas. Só de gabinetes serão 17 e gostaria de fazer até mais alguns, pois a cidade de Birigui pode ter até 19 vereadores, pelo tamanho da população. Poderia ser feito outro projeto.

Esse novo projeto seria no mesmo endereço previsto para ser a nova sede da câmara, na avenida Youssef Mansour?

A gente vai estudar mais isso. Uma das parcerias entre a câmara e prefeitura poderia ser no sentido de ser cedido um terreno em troca de outro, ceder mais terrenos. Nós precisamos primeiro estudar o projeto e, depois disso, ver onde poderia ser complementado. Tem até uma placa lá (na avenida Youssef Mansour). É uma avenida, tem uma boa localidade. Ainda sou o presidente eleito. Vou tomar posse em 1º de janeiro. Acho que as ideias são melhores trabalhadas com números. Eu só tenho alguns. O resto é só especulação. Com a planilha na mão, junto com o corpo da câmara, a gente poderá estudar melhor. Mas uma das ideias seria construir o prédio na mesma localidade onde está prevista a nova sede, sim.

Como se sente fazendo história duas vezes? Primeiro, sendo o vereador mais jovem a ser eleito. Depois, o presidente mais jovem da história da Câmara de Birigui?

Realmente, é muito bom. De certa forma, levo isso para outras pessoas: é possível fazer política de um jeito certo, adquirir experiência de forma rápida, ter boas ideias com pouca idade e entrar para a política e fazer a diferença. O cenário político do Brasil mudou. Só tinha “velharada” na política nacional, como o pessoal falava. Houve uma renovação muito grande, principalmente, no Senado. Acho que é preciso haver um conjunto, nem só jovens, nem só pessoas mais velhas. Eu tenho um relacionamento muito bom com todos na câmara, independentemente da idade. Acho que todos têm esse mesmo sentimento por mim.

Durante sua gestão na mesa diretora, como o senhor pretende se relacionar com o Executivo?

Atualmente, mesmo se eu não fizesse parte da mesa, teria um bom relacionamento com o Cristiano e seu secretariado. O Cristiano cedeu o número dele (de candidato a vereador), me convidou para fazer parte do PPS, junto com o Genilson Antonio Martins (secretário de Administração), que é o presidente do partido em Birigui. Acho que até mesmo antes da política tenho um grande elo com o Cristiano, desde quando ele foi vereador e presidente da câmara. Esse elo acaba se estreitando, justamente, por causa dos ideais. O presidente da câmara tem uma certa maior autonomia entre os vereadores em colocar projetos na pauta. Acredito que estamos tendo bastante reuniões antes de assumirmos. O objetivo é o mesmo e a relação (Legislativo e Executivo) só tende a melhorar.

Muito se tem falado também nos bastidores políticos de que o senhor tem vontade de ser prefeito. É verdade?

Não. Na verdade, é a mesma ideia que o pessoal me impõe, de que o Felipe quer ser prefeito, de que o Felipe queria ser presidente, ideia que surgiu há pouco tempo, de que o pai do Felipe queria colocá-lo na política. Na realidade, eu mesmo quis entrar para a política. Meu pai não gostou da ideia em um primeiro momento. Depois, ele viu que eu tinha vontade de entrar para fazer algo diferente e me apoiou 100%, até na eleição da mesa diretora. Ele é um conselheiro, um amigo. Não posso falar nada. Agora, para prefeito, acho que o Cristiano é uma autoridade muito boa. Ele é competente, professor na universidade em que estudo, e muito capaz. Está mostrando isso nos últimos dois anos e acho que vai fazer ainda muito mais por Birigui. Com certeza, crescer na política é um anseio. Mas está muito cedo até para pensar nisso. Temos muito trabalho para fazer, tanto que eu falo para o pessoal que nem sei se vou continuar na política. Eu falei que ia entrar para a câmara durante quatro anos. Se eu conseguir fazer o trabalho do jeito que tiver que ser feito, aí dou prosseguimento. É o que vem acontecendo. Acho que tenho uma trajetória bonita na política pela frente.

 

fonte: Folha da Região