Em novos relatos sobre o comportamento abusivo de Pedro Guimarães, ex-presidente do banco, funcionárias contam que se sentiram intimidadas e depois pressionadas a se manterem em silêncio.

A semana foi marcada por um escândalo na Caixa Econômica Federal. O presidente do banco, Pedro Guimarães, pediu demissão depois de uma série de denúncias de assédio sexual e moral. O caso revelou um ambiente de trabalho perigoso, especialmente para as mulheres. Em novos relatos sobre o comportamento abusivo de Pedro Guimarães, funcionárias contam que se sentiram intimidadas e depois pressionadas a se manterem em silêncio.

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Os servidores ouvidos pelo repórter Vladimir Netto dizem que a gestão de Pedro Guimarães foi autoritária e contaminou as relações na empresa. O Fantástico apurou que até agora existem 10 denúncias de assédio envolvendo dirigentes da Caixa.

O que começou como boatos nos corredores da sede da Caixa Econômica Federal virou uma série de denúncias, e agora elas são o ponto de partida de uma investigação do Ministério Público Federal.

Esta semana, várias funcionárias da Caixa acusaram o ex-presidente Pedro Guimarães de assédio moral e sexual. Oito delas aceitaram dar entrevista, outras não quiseram gravar. Todas disseram que decidiram falar porque queriam que isso parasse de acontecer, com elas e com as outras mulheres. E cada uma das denúncias foi construindo uma história de resistência, que levou à queda do presidente da Caixa.

“É possível de comprovar, com base no que tantas pessoas já falaram e tantas pessoas que se encorajarão a falar, que a nossa força é a verdade. Ninguém está inventando, ninguém está aumentando, ninguém está se vitimando. A gente não sente orgulho de ser vítima”, diz uma funcionária.
Na quarta-feira (29), Pedro Guimarães pediu demissão. Uma funcionária define assim o ambiente de assédio no comando de um dos maiores bancos do país: “Nós vivíamos uma prisão velada. Uma prisão de ser monitorada pelo fato de a gente ter dito ‘não’.” Ela é uma das mulheres que afirmam que foram assediadas sexualmente por Pedro Guimarães.