Além de Bolsonaro ter tirado Vicente Santini do cargo, Programa de Parceria em Investimento (PPI) saiu da pasta e foi para o Ministério da Economia de Guedes.

Julia Duailibi comenta decisão de Bolsonaro de tornar sem efeito admissão de Santini

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a crise envolvendo Vicente Santini, ex-número 2 da Casa Civil que caiu após usar aeronave da FAB em uma viagem internacional, para enfraquecer ainda mais a Casa Civil: retirou o PPI (Programa de Parcerias em Investimento) da pasta de Onyx Lorenzoni e o entregou ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Essa já era uma demanda antiga de Guedes, que não via razão no fato de o programa ficar subordinado à Casa Civil, comandada por um político. Guedes avaliava, e fez chegar ao presidente, que o programa tinha que ser tocado por técnicos da Economia. Em meio a essa crise, conseguiu que a mudança fosse consumada.

De acordo com ministros ouvidos pelo blog, para justificar o uso da aeronave, Santini chegou a dizer que Guedes havia pedido a presença dele na viagem presidencial à Índia por causa do PPI. A informação, no entanto, foi rebatida por assessores presidenciais, o que ajudou a tornar a situação dele ainda mais insustentável.

Esse fato, aliado à repercussão negativa do caso, uma vez que Santini manteve um cargo na Casa Civil e um salário de mais de R$ 16 mil, levaram o presidente a decidir pela exoneração.

Aproximação recente com família Bolsonaro
Santini havia sido demitido da Secretaria Executiva da Casa Civil, mas conseguira o cargo de assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil, após intervenção de Eduardo Bolsonaro, de quem ele se aproximou nos últimos anos (não são amigos de infância, segundo assessores do presidente).

O ex-número 2 da Casa Civil teria ajudado a família ao apresentar uma empresa de segurança privada logo após a facada de que Bolsonaro foi vítima durante a campanha de 2018.

“Depois da eleição, ele apresentou a promissória”, afirmou um ministro ao blog, numa referência ao cargo que Santini ganhou quando Bolsonaro venceu a eleição.

O presidente também exonerou Fernando Moura, que era secretário-adjunto de Santini e que o nomeara, após ação de Eduardo Bolsonaro, para o cargo de assessor especial.