Um agente de inteligência do país afirmou que Donald Trump usou seu poder para pedir interferência estrangeira nas eleições de 2020. Rudolph Giuliani, advogado do presidente, é ‘figura central’, e William Barr ‘parece estar envolvido também’.

Autoridades da Casa Branca agiram para esconder o conteúdo da conversa entre o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, e o da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pois sabiam que o material é comprometedor, afirma um relatório do agente que fundamenta o pedido de impeachment feito contra o americano.

O documento, que foi redigido no dia 12 de agosto, foi tornado público nesta quinta-feira (26), por um comitê da Câmara dos Deputados. O diretor de inteligência dos EUA, Joseph Maguire, respondeu perguntas sobre o caso no Congresso.

Trump reagiu nas redes sociais –ele disse que é uma nova “caça às bruxas”.

O que diz o documento
O acusador escreveu no documento revelado nesta quinta que, durante suas tarefas oficiais, recebeu informações “de múltiplos agentes do governo dos EUA de que o presidente dos EUA está usando o poder de seu gabinete para pedir interferência estrangeira nas eleições de 2020”.

Reprodução do documento em que um agente de inteligência dos EUA acusa Trump de tentar interferir nas eleições de 2020 — Foto: Reprodução

Reprodução do documento em que um agente de inteligência dos EUA acusa Trump de tentar interferir nas eleições de 2020 — Foto: Reprodução

Ele descreve que isso inclui, entre outras coisas, “pressionar um governo estrangeiro para investigar um dos principais rivais políticos domésticos do presidente”.

 

“O advogado pessoal do presidente, o senhor Rudolph Giuliani, é uma figura central nesse esforço. O procurador geral [William] Barr parece estar envolvido também”, afirmou ele no documento.

O telefonema do dia 25 de julho
“Na manhã de 25 de julho, o presidente falou pelo telefone com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Foi a primeira chamada que se tornou pública entre os dois desde um cumprimento de parabéns, depois que Zelensky venceu as eleições, em 21 de abril”, diz o documento divulgado nesta quinta.

O acusador prossegue:

“O presidente usou o telefonema para defender seus interesses pessoais. Explicitamente, buscou pressionar o líder ucraniano para tomar ação para ajudar a reeleição de 2020. De acordo com os agentes da Casa Branca, o presidente pressionou Zelensky a, entre outros:

Iniciar uma investigação das atividades do ex-vice-presidente Joseph Biden e de seu filho, Hunter Biden;
Revelar que as alegações de interferência russa nas eleições de 2016 começaram na Ucrânia — foi a empresa de segurança virtual americana Crowdstrike que inicialmente revelou que hackers russos haviam entrado nas redes do Partido Democrata em 2016; Trump pediu para que Zelensky localizasse e entregasse aos EUA servidores usados pelo Comitê Nacional Democrata e examinasse a companhia;
Encontrar ou conversar com duas pessoas ligadas ao presidente, Giuliani e o procurador geral Barr, a quem o presidente fez múltiplas referências na chamada.”