O governo do estado gastou R$ 3,6 bilhões dos R$ 6,2 bilhões, entre 2010 e 2019.

Ambulância é vista parcialmente submersa em meio a alagamento na região da Marginal Pinheiros após as chuvas que atingiram São Paulo nesta segunda-feira (10) — Foto: Antônio Cícero/Photopress/Estadão Conteúdo

Ambulância é vista parcialmente submersa em meio a alagamento na região da Marginal Pinheiros após as chuvas que atingiram São Paulo nesta segunda-feira (10) — Foto: Antônio Cícero/Photopress/Estadão Conteúdo

Em dez anos, o governo do estado de São Paulo deixou de usar 42% da verba contra enchentes no estado de São Paulo, o equivalente a equivalente a mais de R$ 2,5 bilhões do montante orçado.

Segundo levantamento feito pela GloboNews, entre 2010 e 2019, foram usados somente R$ 3,6 bilhões dos R$ 6,2 bilhões previstos para serem investidos em ações preventivas.

O valor corresponde a 58% do orçamento estimado para período. A análise foi feita com base na execução orçamentária disponibilizada pela Secretaria Estadual de Fazenda e Planejamento.

Em nota, a gestão do governo Doria informou, por meio da Secretaria da Infraestrutura, que o orçamento de 2019 foi elaborado pela gestão anterior, e que o valor orçado “não significa que está disponível para investimento, uma vez que não prevê frustração de receitas e subestima despesas de custeio.”

O texto diz ainda que o valor orçado para combate as enchentes foi de R$ 364,7 milhões, dos quais os R$ 220,2 milhões disponíveis foram executados.

A gestão Doria ainda alega que “foi necessário revisar projetos e desapropriações sob responsabilidade dos municípios. O orçamento elaborado pela atual gestão prevê o investimento de R$439,9 milhões em 2020”.

Na avaliação do governo, o orçamento citado pela reportagem “não prevê obras de saneamento executadas pela SABESP que investiu mais de R$3 bilhões em saneamento básico no ano passado e deverá investir mais R$ 3,6 bilhões neste ano.”

Também questionado pela reportagem, o ex-governador Marcio França (PSB) disse que nos oito meses da gestão, ‘mesmo com restrições legais do ano eleitoral e orçamento fechado pelo antecessor, foi possível fazer o maior investimento em números absolutos do período. Vale lembrar que tais obras são de competência municipal”.

Procurado, ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) não se manifestou.