O Plano de Monitoramento do Pescado Capturado no Litoral vai observar se peixes, molusco e crustáceo de nove localidades foram contaminados pelo petróleo.

Monitoramento se estenderá por seis meses em localidades afetadas por petróleo cru. — Foto: José Leomar/SVMMonitoramento se estenderá por seis meses em localidades afetadas por petróleo cru. — Foto: José Leomar/SVM
Monitoramento se estenderá por seis meses em localidades afetadas por petróleo cru. — Foto: José Leomar/SVM

Apesar do recuo das manchas de óleo no mar do Ceará, a contaminação de espécies marinhas ainda preocupa pescadores, banhistas e consumidores. Entidades locais desenvolveram um projeto para monitorar as espécies que habitam áreas afetadas e avaliar a segurança alimentar dos animais. A iniciativa constitui o Plano de Monitoramento do Pescado Capturado no Litoral do Estado (PMP-CE), apresentado nesta terça-feira (26), na Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), em Fortaleza.

Manchas de óleo foram encontradas no litoral nordestino desde o fim de agosto. Segundo balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), mais de 700 localidades foram atingidas por manchas de óleo no litoral brasileiro. O petróleo cru já chegou ao litoral do Rio de Janeiro.

Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema
O estudo no Ceará vai observar, em um intervalo de seis meses, se peixes, moluscos e crustáceos foram contaminados com o petróleo cru encontrado em praias do estado. Nove localidades afetadas pela substância receberão o projeto: Acaraú, Aracati, Barroquinha, Caucaia, Cascavel, Fortim, Icapuí, Paracuru e Sabiaguaba.

Agentes do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) e do Instituto Terramar farão a coleta de serra, ariacó e sardinha (peixes); sururu (molusco) e camarão (crustáceo), considerados produtos “abundantes e bastante consumidos” no setor de pesca.

Exames em laboratórios
Segundo explica a engenheira de pesca e professora do Labomar da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Vieira, a análise das amostras será feita em laboratórios. A expectativa é que em seis meses sejam realizados 1.620 ensaios com as coletas.

“A gente vai avaliar a porção comestível desses recursos pesqueiros, no caso, o músculo, e vai fazer análises buscando a possível contaminação por petróleo, a existência de metais pesados e também de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos”, detalha a pesquisadora.

A execução do projeto, contudo, ainda necessita da aprovação de um orçamento de R$ 1.187.576,61. Conforme o titular executivo da Pesca da Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário (SDA), Antônio Nei de Sousa, o repasse da verba deve ser discutido nesta quinta-feira (28).

“Esse orçamento vai ser discutido junto com o Governo para viabilizarmos a ação nesse momento e também a continuidade nos próximos seis meses. Hoje já foi conversado com o secretário Francisco de Assis (SDA) e estamos conversando no decorrer dessa semana com membros do Governo. Estamos cientes dessa responsabilidade e acreditamos ser possível conseguir o recurso”, pondera.