Brasileiros ajustam orçamento e começam a superar estragos da crise, mas inadimplência ainda está alta e emprego reage lentamente e com base na informalidade.

Movimentação de pessoas na Rua 25 de Março, tradicional centro de compras popular de São Paulo — Foto: Bruno Rocha/FotoArena/Estadão ConteúdoMovimentação de pessoas na Rua 25 de Março, tradicional centro de compras popular de São Paulo — Foto: Bruno Rocha/FotoArena/Estadão Conteúdo
Movimentação de pessoas na Rua 25 de Março, tradicional centro de compras popular de São Paulo — Foto: Bruno Rocha/FotoArena/Estadão Conteúdo

Num movimento ainda tímido, as famílias brasileiras começam a superar os estragos provocados pela crise econômica e a retomar lentamente hábitos de consumo que foram deixados de lado nos últimos anos.

Mas o quadro atual ainda está distante do ‘boom’ de consumo vivido pelas famílias no início dos anos 2000 e uma melhora mais consistente deve se concretizar apenas com a retomada mais forte do mercado formal de trabalho.

O consumo das famílias foi um dos motores da atividade econômica no ano passado – impulsionado pela liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – e deve seguir com esse papel. No biênio de 2019 e 2020, a expectativa é que o consumo cresça entre 2% e 2,5% em cada ano, segundo bancos e consultorias consultados pelo G1.

“Nos principais indicadores, já há uma trajetória de recuperação do consumo”, afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências. “O desempenho do consumo dentro do PIB deixa evidente essa recuperação.”

PIB do Brasil cresce 0,6% no 3º trimestre, puxado pelo consumo das famílias
Uma série de fatores tem contribuído para que os brasileiros comprem mais: os juros estão mais baixos, há um avanço acelerado do crédito para pessoa física e o mercado de trabalho dá sinais de melhora, embora ainda tímido e calcado na informalidade.

“Um dos principais estímulos para o consumo é o crédito para pessoa física, que já cresce a dois dígitos. No varejo, os segmentos sensíveis ao crédito já crescem mais de 10%”, diz Luka Barbosa, economista do banco Itaú.
Crédito tem maior crescimento desde 2012 e ajuda no consumo das famílias
Em 2020, essa combinação ainda deve ser favorecida pela melhor composição do emprego no país, com um aumento da formalização. O Itaú, por exemplo, projeta que neste ano serão criados 881 mil empregos formais no país – número próximo ao da consultoria LCA, que espera cerca de 800 mil novas vagas no ano. Para 2019, o banco estima que a abertura de postos com carteira de trabalho assinada tenha sido de 553 mil – os dados oficiais ainda não foram divulgados.

Os sinais de melhora do consumo começaram a ficar evidentes e a se espalhar por todo o país no segundo semestre do ano passado, segundo um monitoramento feito pela Kantar. No trimestre encerrado em novembro, houve aumento no comércio de todas as cestas e categorias de produtos. O destaque ficou para o setor de bebidas e perecíveis.

No mesmo período, as vendas também cresceram em toda as classes econômicas e regiões do país. “É uma melhora que não está restrita só em um grupo, o que mostra uma clara tendência de recuperação”, diz Ana Simões, gerente de contas da Kantar.

Consumo cresceu em todas as classes no terceiro trimestre; bebidas e perecíveis lideram — Foto: Cido Gonçalves/Arte G1

Consumo cresceu em todas as classes no terceiro trimestre; bebidas e perecíveis lideram — Foto: Cido Gonçalves/Arte G1