Presidente do Rubro-Negro, Rodolfo Landim, deixou a sede do Ministério Público do Rio na tarde desta segunda-feira após um breve pronunciamento. Perícia começa nesta terça-feira

Representantes do Flamengo estiveram reunidos, na tarde desta segunda-feira, com diversos órgãos públicos para a discussão sobre o incêndio que atingiu parte o alojamento das categorias de base no Ninho do Urubu e fez dez vítimas fatais. O presidente Rodolfo Landim deixou o local após realizar um pronunciamento, sem responder questionamentos. Representantes da prefeitura do Rio de Janeiro e da Polícia Civil não se pronunciaram.

Estiveram presentes no encontro membros da prefeitura do Rio de Janeiro, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Ministério do Trabalho. Pelo Rubro-Negro, além do mandatário, o vice Rodrigo Dunshee, o presidente do Conselho Deliberativo Antonio Alcides, o CEO Reinaldo Belotti e o ex-vice jurídico Flávio Willeman.

Vistorias no centro de treinamento Ninho do Urubu vão começar nesta terça-feira pela manhã. Segundo Eduardo Gussem, procurador-geral do Ministério Público, há a possibilidade de que o local seja interditado completa ou parcialmente.

– É importante registrar que a presidência do Flamengo assumiu todas as responsabilidades em relação ao evento, se comprometeu a dar todo acolhimento às famílias das vítimas e entregou à defensoria pública a condução dessa negociação com as famílias para reparo imediato. A partir de amanhã (terça-feira), faremos perícias amplas no CT do Flamengo, para que possamos analisar em que condições se encontra e se há necessidade de interdição plena ou parcial do local de trabalho. É um dano irreparável. Mas há também o aspecto preventivo, para que novas tragédias como essa não ocorram. Vamos verificar a legalidade trabalhista desses atletas. Assim como o ambiente de trabalho desses trabalhadores. – disse.

Já Fábio Vilella, procurador-chefe do MPT-RJ, salientou que haverá uma varredura no centro de treinamento para saber as condições do local e quais as medidas cabíveis, além de uma análise da relação de trabalho das crianças e adolescentes, não só no Flamengo, mas como nos outros clubes.

– A nossa vistoria vai avaliar, primeiramente, se o centro de treinamento está ou não em condições de funcionar. E a questão da relação de trabalho dessas crianças e adolescentes. A partir daí, vamos tomar as medidas cabíveis. O Flamengo se comprometeu a regularizar tudo, de imediato. Se não fizer isso, as medidas judiciais serão necessárias – apontou ele, que completou:

– Designei uma força-tarefa com procuradores da área do trabalho de crianças e adolescentes como do ambiente de trabalho. Tem duas questões envolvidas: o respeito à Lei Pelé e a indenização. Além disso, o aspecto preventivo, para que novas tragédia não ocorram. Não só no Flamengo, mas em outros clubes. Vamos fazer uma varredura em outros centros de treinamento para que isso não aconteça.