Pouco respeitada, lei durou 13 anos e proporcionou expansão do crime organizado. Historiadores veem paralelos com o combate à maconha, descriminalizada em cada vez mais estados no país.

E


Em foto de 1922, pessoas observam agentes da proibição despejarem rum de garrafões de cinco litros no Rio Elizabeth, em Norfolk, Virginia — Foto: Charles S. Borjes/The Virginian-Pilot via AP

Em foto de 1922, pessoas observam agentes da proibição despejarem rum de garrafões de cinco litros no Rio Elizabeth, em Norfolk, Virginia — Foto: Charles S. Borjes/The Virginian-Pilot via AP

Nesta era de coquetéis enormes, cervejas artesanais e happy hours sempre presentes, é impressionante lembrar que há 100 anos os Estados Unidos impuseram uma proibição nacional à produção e venda de todos os tipos de álcool.

A Lei Seca, que durou de 17 de janeiro de 1920 a dezembro de 1933, agora é vista como um experimento fracassado que glamourizava o consumo ilegal de álcool, mas existem vários paralelos intrigantes nos tempos atuais.

Clientes e funcionários posam no McSorley’s Old Ale House, em Nova York, em 13 de janeiro de 1920, dias antes do início da Proibição — Foto: W.A. Sprinkle/McSorley’s Old Ale House via APClientes e funcionários posam no McSorley’s Old Ale House, em Nova York, em 13 de janeiro de 1920, dias antes do início da Proibição — Foto: W.A. Sprinkle/McSorley’s Old Ale House via AP
Clientes e funcionários posam no McSorley’s Old Ale House, em Nova York, em 13 de janeiro de 1920, dias antes do início da Proibição — Foto: W.A. Sprinkle/McSorley’s Old Ale House via AP

Os americanos estão consumindo mais álcool per capita agora do que no período que antecedeu a lei, quando os oponentes ao álcool argumentaram com sucesso que o consumo excessivo estava arruinando a vida familiar.

Mais estados também estão se mobilizando para descriminalizar a maconha, com os defensores da legalização citando frequentemente as falhas da proibição. Muitos dos mesmos estabelecimentos que operaram na ilegalidade durante a década de 1920 estão florescendo em uma cultura que romantiza a época.

Clientes se sentam abaixo de fotos e documentos antigos, incluindo um pôster do vice-presidente Theodore Roosevelt, no McSorley's Old Ale House, em Nova York, em 27 de dezembro de 2019 — Foto: AP Photo/Mark Lennihan

Clientes se sentam abaixo de fotos e documentos antigos, incluindo um pôster do vice-presidente Theodore Roosevelt, no McSorley’s Old Ale House, em Nova York, em 27 de dezembro de 2019 — Foto: AP Photo/Mark Lennihan


Clientes se sentam abaixo de fotos e documentos antigos, incluindo um pôster do vice-presidente Theodore Roosevelt, no McSorley’s Old Ale House, em Nova York, em 27 de dezembro de 2019 — Foto: AP Photo/Mark Lennihan

E em um momento de maiores divisões raciais, a proibição oferece uma lição de história pungente sobre como as restrições atingiram os negros e os imigrantes de forma mais severa do que outras comunidades. Esse tratamento acabou levando muitos daqueles americanos marginalizados ao Partido Democrata, que arquitetou a revogação da lei.

“A Lei Seca teve muitas consequências não intencionais que saíram pela culatra para as pessoas que trabalharam tanto para estabelecer a lei”, disse Lisa McGirr, professora de história de Harvard, cujo livro de 2015 “A guerra ao álcool” examina as repercussões políticas e sociais da proibição.

“Ajudou a despertar e envolver homens e mulheres que não haviam participado do processo político anteriormente”, diz McGirr. “Essa não era a intenção dos apoiadores da proibição.”