Vítimas são dos povos waiãpi, apurinã, tukano, guajajara e mura. Terras são alvo de disputas na região amazônica.

Infográfico sobre mortes de indígenas no Brasil em 2019 — Foto: Juliane Monteiro/G1

Sete líderes indígenas foram assassinados em 2019, maior número em pelo menos 11 anos. As vítimas são dos povos waiãpi, apurinã, tukano, guajajara e mura. As terras desses povos são alvo de disputas na região amazônica, sofrendo com invasões, garimpo e grilagem.

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Waiãpi
Localizada no oeste do Amapá, a aldeia Waiãpi denunciou no final de julho a invasão de garimpeiros. Ao chegar ao local, a Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou a morte do líder Emyra Waiãpi, de 62 anos. Ele tinha marcas de perfurações e cortes na região pélvica.

Filho de Emya, Aikyry Waiãpi disse que o pai morreu em confronto com os invasores. Os indígenas da aldeia relataram à Funai a chegada de 10 a 15 pessoas armadas dentro do território. Vivem 300 índios da etnia na região.

A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), consórcio de organizações da sociedade civil que monitora o bioma, mantém um mapa com os registros de garimpo. Na área dos Waiãpi, eles identificaram uma região afetada pela extração de ouro com contaminação de mercúrio. Fora do território, ao Sul do estado, há um complexo ativo de garimpo a céu aberto.

“Os índios disseram que tinham invasores na área deles. Notaram a presença, e eles creditam a morte desse índio a um conflito. Recentemente não relataram mais invasões”, explica Luís Donisete Grupioni, antropólogo e coordenador do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), entidade que atua em todo o estado do Amapá e no norte do Pará.

De acordo com o antropólogo, a prática do garimpo é comum na região do Amapá, de forma legal e ilegal. Além disso, há a presença de caçadores e retirada de madeira. Na aldeia Waiãpi, no entanto, não há registro de extração ilegal das árvores, diz Grupioni.

Guajajara
Três indígenas guajajara foram mortos neste ano. O primeiro deles, morto em 1º de novembro, é Paulo Paulino. Ele tinha 26 anos quando foi executado em um conflito de terra Arariboia, no Maranhão.

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A terra Arariboia é a que mais sofreu queimadas neste ano, considerando as áreas indígenas do estado do Maranhão: foram 126 focos desde janeiro. E por pouco não está entre as dez mais desmatadas da última década da Amazônia: está em 11º lugar e perdeu 63,67 km² de floresta desde 2008, de acordo com os dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Ela é composta por etnias indígenas Ka’apor, Guajajaras e Awá-Guajás. As três tribos fazem parte de um grupo chamado “Guardiões da Floresta”, formado para proteger a natureza. Os integrantes evitam invasões de madeireiros, grilagem e incêndios. Paulo era um desses guardiões.

Os outros dois líderes indígenas guajajara, o cacique Firmino Prexede Guajajara, com 45 anos, e Raimundo Benício Guajajara, com 38 anos, morreram neste sábado (7) em um atentado na BR-226, perto da terra indígena Cana Brava/Guajajara, na cidade maranhense de Jenipapo dos Vieiras.

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A terra homologada pela Funai teve zero desmatamento entre 2018 e 2019, de acordo com o Inpe. Entidades ouvidas pelo G1 Maranhão mostram que os possíveis motivos para os ataques são a disputa de terras e o preconceito contra os indígenas na região.