Segundo procuradores, o perito Charles William se aproveitou de sua função para obter vantagens já que ‘tinha confiança de diversos magistrados’ do Tribunal de Justiça.

O perito Charles Fonseca William  — Foto: Reprodução

O perito Charles Fonseca William — Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta segunda-feira (23) o perito judicial Charles Fonseca William e os empresários de ônibus José Carlos Lavouras, Jacob Barata Filho – o “Rei dos Ônibus” – e João Augusto Monteiro.

Eles são acusados de, entre 2012 e 2015, praticarem corrupção (ativa ou passiva) e pertencerem a organização criminosa.

No caso do perito Charles, ele ainda é denunciado por suspeita de lavagem de, pelo menos, R$ 5,9 milhões.

Deste total, segundo o MPF, R$ 1 milhão foi utilizado na compra de uma casa em Búzios, na Região dos Lagos (pagos em espécie) e R$ 4,9 milhões foram entregues pela frota da transportadora de valores Transexpert, que ocultava valores para a organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ).

“Como visto, Charles William se valeu de sua função de perito judicial, gozando da confiança de diversos magistrados, para se locupletar ilicitamente, aproveitando-se de sua influência em demandas judiciais que poderiam ensejar resultados desfavoráveis para as empresas de ônibus”, escreveram os procuradores na denúncia apresentada à Justiça.

Os denunciados passam a responder por esses crimes após a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro receber a denúncia. No documento, os 11 procuradores da Lava Jato do RJ narraram à Justiça que Charles William fazia perícias favoráveis às empresas de ônibus.

De acordo com a denúncia, entre maio de 2012 e maio de 2015, Lavouras, Barata Filho e Monteiro providenciaram 22 pagamentos, somando R$ 4,9 milhões, para o perito praticar atos em benefício de suas empresas, como em processos relativos ao rebaixamento das tarifas intermunicipais.

Além de fazer laudos a favor das empresas, dizem os investigadores, Charles William se articulava para ser nomeado no maior número possível de ações, o que mostraria sua influência no Tribunal de Justiça. O MPF já encaminhou informações sobre o caso para a Corregedoria Geral de Justiça do TJ.