Nome da literatura nacional receberá título de cidadã em município da região

As novas gerações, certamente, não sabem quem foi Anna Lins dos Guimarães Peixoto Brettas. Era uma senhora simples que, ao desenvolver enorme talento literário numa sociedade machista e conservadora, adotou o pseudônimo de Cora Coralina para poder escrever sem que a família soubesse.

Tornou-se, assim, um dos maiores nomes da literatura brasileira. Numa trajetória de vida que durou 95 anos, vários foram os lugares onde morou. Um deles, na região, prepara-se para lhe fazer uma homenagem.

Na sessão de amanhã, a Câmara de Penápolis vota, pela primeira vez, o chamado de título de cidadã post mortem, voltado a reconhecer pessoas de relevante atuação na história local que, no entanto, já faleceram. Além de Penápolis, Cora Coralina também residiu em Andradina e homenageou a cidade que a acolheu com o “Cântico de Andradina”, retratando a colonização da codade.

A proposta é da vereadora Jandineia Fernandes (PT). Ao justificar seu projeto de decreto legislativo, Professora Jandineia, como é conhecida, destaca que, na década de 1930, Cora Coralina viveu em Penápolis. Nascida na Cidade de Goiânia em 29 de agosto de 1889, Cora colaboruou com diversas ações comunitárias e sociais quando morou no município paulista, inclusive no processo inicial de arborização da área urbana da cidade.

A parlamentar não deixa de citar que, em diversos registros sobre a vida e a obra de Cora, Penápolis sempre aparecer citada. São artigos, entrevistas e o fime “Todas as Vidas”, do cineasta Renato Barbieri, de alcance internacional, que retrata a vida da escritora. O filme conta com depoimento do ex-prefeito João Luís dos Santos (PT), professor de Literatura e autor de poema em homenagem a Cora.

“A apresentação da presente proposta se justifica plenamente porque se trata do reconhecimento histórico da contribuição de Cora Coralina para a literatura, a cultura e a história do Brasil e que Penápolis foi cenário de uma parte significativa da vida da poetisa”, disse a vereadora, no texto. A concessão do título é feita a pessoas não nascidas em Penápolis, mas que tiveram relevante atuação na cidade, com destaque na cultura, educação e no desenvolvimento local. A homenagem deverá ser entregue a uma filha de Cora hoje residente em São Paulo.

PESQUISA

Para desenvolver seu projeto, Jandineia contou com o apoio da pesquisadora penapolense Alda Maria Francisco Alves. No texto de apoio anexado à propositura, Alda destaca que, apesar da pouca escolaridade, Cora começou a escrever aos 14 anos, em jornais de Goiânia e de municípios vizinhos. Participando de clubes e jornais literários, publicou contos e crônicas. Após a perda do marido, trabalhou vendendo livros.

Ao se mudar para Penápolis, passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se, em seguida, para Andradina, onde, atualmente, há uma casa de cultura com seu nome. Em 1956, retornou para Goiás.

Cora Coralina morreu em Goiânia no dia 10 de abril de 1985.