Antigos ‘autos de resistência’ somaram 434 no primeiro trimestre deste ano – sete por dia.

A Polícia Militar do RJ matou 434 pessoas em confronto no primeiro trimestre de 2019. Os antigos “autos de resistência” – hoje chamados de mortes por intervenção policial – somaram 434 casos de janeiro a março, numa média de sete óbitos por dia.

 

Os números constam do último balanço trimestral da Segurança Pública do RJ. Outro destaque é a quantidade de fuzis apreendidos, que bateu recorde. Foram 145 armas recolhidas, o maior registro desde 2007 – 25 a mais que no início de 2018.

Neste total, não foram contabilizados os mais de 100 fuzis incompletos apreendidos na casa de Ronnie Lessa, preso por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. Essa apreensão foi notificada como “parte de armas”.

 

‘Planejamento’
O G1 entrou em contato com o governo do RJ para saber o posicionamento a respeito dos números. Em nota, a Secretaria de Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que “as operações da Corporação são pautadas por planejamento prévio e executadas dentro da lei. Nas ações em áreas conflagradas, a missão da Polícia Militar é primordialmente a prisão de criminosos e apreensão de arma e drogas”.

“Muitas vezes, no entanto, os criminosos fazem a opção pelo enfrentamento, dando início ao confronto. Quando a operação policial resulta em mortes ou feridos, um Inquérito Policial Militar é aberto para apurar as circunstâncias do fato”, acrescentou a PM.

O texto também afirma que “em relação aos números do Instituto de Segurança Pública (ISP) referentes a março, o mais importante é ressaltar a queda de 32% nos homicídios dolosos, representando a menor taxa para o mês em 28 anos. O indicador letalidade violenta também diminuiu 24% em relação a março de 2018”.

13 mortos no Fallet, Santa Teresa
Entre os casos de mortes envolvendo a polícia que aconteceram no primeiro trimestre está o tiroteio que em fevereiro deixou 13 pessoas mortas nas comunidade do Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, no Centro do Rio.

De acordo com informações da Polícia Militar, suspeitos participavam de um confronto com agentes do Comando de Operações Especiais (COE). A operação contou também com homens do Bope e do Batalhão de Choque. Segundo a polícia, a ação foi para combater o tráfico de drogas.

Governador Wilson Witzel confere armas apreendidas em operação no Complexo do Alemão — Foto: Divulgação/Governo do Estado do RJGovernador Wilson Witzel confere armas apreendidas em operação no Complexo do Alemão — Foto: Divulgação/Governo do Estado do RJ

A PM relata que as equipes foram recebidas a tiros durante o vasculhamento e houve confronto. Dois baleados foram levados ao Souza Aguiar. Em outro ponto, armas foram apreendidas.