Após um bom ano em 2017, NSP viu o número de atletas machucados diminuir, em comparação ao total de jogos. Centro de Excelência receberá novos aparelhos em breve

A temporada de 2018 rendeu resultados que animaram o Núcleo de Saúde e Performance (NSP) do Palmeiras, em relação a prevenção e recuperação de lesões. Além de ter diminuído o número de problemas musculares em relação à quantidade de jogos na temporada, houve também uma queda na gravidade dos machucados, além da recuperação geralmente abaixo do prazo.

– Diminuímos o número de lesões musculares, o overuse (uso excessivo), apesar do aumento do número de jogos. Você pode ter um número de lesões maior (em comparação a 2017), mas o índice de lesões por jogos a gente teve um número interessante. O Palmeiras ainda diminuiu a gravidade destas lesões por repetições, de causas indiretas, como estiramento. As lesões foram menos graves, o que gera um retorno mais precoce, pelo trabalho já feito, e na base que o atleta já tem de prevenir – contou Gustavo Magliocca, coordenador médico do clube, ao LANCE!.

O NSP é um núcleo interdisciplinar com quatro pilares: médico (coordenado por Magliocca), fisioterapia (coordenado por Jomar Ottoni), preparação física (coordenado por Omar Feitosa) e fisiologia (coordenado por Thiago Santi). Englobam este departamento, ainda, as áreas de nutrição, odontologia, massagistas e podólogo.

Além da estrutura do Centro de Excelência, que recebeu investimento agora no fim do ano de R$ 1 milhão para manutenção e renovação de equipamentos, os profissionais citam que o método de trabalho sem deixar os jogadores parados é o que tem dado os bons resultados na parte física. Mesmo lesionado, o atleta segue com atividades físicas na parte interna que não agravem seu problema e ao mesmo tempo o mantenham em forma.

– Usamos a maca para recuperar o jogador que está jogando de um jogo para outro. Usamos muito pouco para quem está machucado. Por exemplo: se o atleta tem uma lesão de adutor, ele pode correr em linha reta e o mantemos assim. Com entorse de tornozelo e o local está inchado, não pode ter impacto, temos a piscina de raia profunda. Com a estrutura do Palmeiras, mantemos o atleta em atividade, mesmo limitado. Isto faz o retorno ser muito mais rápido, pois ele não precisa fazer um recondicionamento do zero – explicou Jomar.

– E não é a gente que coloca o prazo. Tem um diagnóstico, uma imagem, e a Fifa e a Uefa têm muitos estudos sobre previsão de retorno. A gente sabe que uma lesão grau 1 é de duas a três semanas, dependendo do músculo; grau 2 é de quatro a seis semanas. Não é a gente que cria o prazo. O prazo que passamos são científicos, que a literatura descreve e temos todos os exames comprovando a classificação da lesão – acrescentou.

Ao longo da temporada, o Palmeiras teve dez casos de lesões musculares – em todos conseguiu recuperar o jogador antes do prazo, com pelo menos uma semana de antecedência. Jean, por exemplo, voltou em uma semana numa lesão prevista para um mês. Até nas 13 lesões não musculares, geradas a partir de traumas, o único que voltou no prazo e não antes foi Gustavo Scarpa, pelo problema no pé direito, considerado bastante atípico.

O número é maior do que as sete lesões musculares em 2017, mas na temporada passada foram 68 jogos, e nesta, 77. Para efeito de comparação, em 2015, quando foi iniciada a reformulação do departamento de futebol, foram 62 lesões ao todo (36 musculares e outras 26 não musculares). Neste ano, ao todo, foram 24.

– O segredo é conhecer o atleta profundamente. É a idade, o histórico dele, a parte física, a posição que ele joga e as características dele. Baseado nisso fazemos um planejamento individualizado para o ano inteiro. Na hora de um treinador escalar, na hora de pensar os dois ciclos de jogos, pulando o do meio, como foi com o Felipão, a gente gera dados para ele. E o resultado é um atleta menos desgastado, performando mais e mais protegido em relação a lesões – disse Magliocca.

– A estrutura que o Palmeiras nos oferece tem sido fundamental. Hoje temos 80% dos atletas chegando ao CT com 1h30, ou 2h antes, fazem toda a parte de avaliação, pré-treino, e se apresentam na academia. Um puxa o outro assim, e facilita demais o nosso trabalho. Eles se cuidam muito. Com alimentação, com a qualidade do sono. É uma coisa que a estrutura impõe a pressão neles, e a qualidade do elenco – reforçou Jomar.

O trabalho do Núcleo de Saúde e Performance engloba desde o cuidado com o solo do gramado em que será feito o treino para se evitar lesões (o campo 1 da Academia, inclusive, está sendo reformado), até a colaboração na montagem dos trabalhos no dia a dia com a comissão técnica de Luiz Felipe Scolari.

Ao controlar as cargas a serem atingidas durante o treinamento, além de evitar lesões, a ideia é que o jogador esteja sempre bem condicionado. Por isso, os profissionais comemoram o número alto de jogos que jogadores acima de 30 anos conseguiram ter em 2018, como Edu Dracena, Felipe Melo, Jean e Willian.