Alunos estão com déficit no desenvolvimento de habilidades que, em casa, não são estimuladas como seriam na escola. Diferença no ambiente de aprendizagem doméstico chega a 20 pontos percentuais entre famílias ricas e pobres.

Crianças da pré-escola (4 a 5 anos) estão apresentando sinais de déficit no desenvolvimento da expressão oral e corporal no período de suspensão das aulas presenciais, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Os dados da pesquisa foram coletados em duas cidades – uma do Nordeste e outra do Sudeste. Foram ouvidos professores e familiares de alunos matriculados em 2.070 escolas públicas, privadas e conveniadas. A falha na aprendizagem foi detectada por profissionais de educação ouvidos no levantamento, obtido.

Para 78% dos professores, os pequenos estão se desenvolvendo menos do que deveriam. Ao todo, 4 milhões de crianças estão matriculadas em pré-escolas no país, segundo dados do Censo Escolar 2020.

A pesquisa também mostra que a diferença no ambiente de aprendizagem dentro de casa chega a 20 pontos percentuais entre famílias ricas e pobres. Atividades como pintar, desenhar, recortar papéis e ouvir histórias são mais frequentes em lares de nível socioeconômico mais alto, e mais raras nos grupos mais vulneráveis.

A pesquisa também indica que 37,6% dos alunos apresentam problemas de conduta em uma faixa considerada de risco ou de atenção. Outros 24,8% têm problemas de relacionamento (veja os dados abaixo).

A reabertura das salas de aula para crianças pequenas é um desafio a ser enfrentado durante a pandemia. É preciso garantir que respeitem o distanciamento social, higienizem as mãos, não encostem na máscara e não troquem o acessório com os amiguinhos.

Rodas de conversa, leitura e música
Com escolas fechadas, atividades como rodas de conversa, leitura e música não são desenvolvidas plenamente no ambiente domiciliar, atrasando o desenvolvimento dos pequenos.