O ano foi marcado por manifestações de grande magnitude nas ruas de cidades da Venezuela, Equador, Bolívia, Chile e Paraguai.

Manifestantes a favor de Juan Guaidó se reuniram na Venezuela no dia 30 de março de 2019 — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Manifestantes a favor de Juan Guaidó se reuniram na Venezuela no dia 30 de março de 2019 — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Passeatas com grandes aglomerações, bloqueios de vias, protestos contínuos e outras demonstrações de insatisfação popular aconteceram em diferentes países da América do Sul em 2019.

Um presidente, Evo Morales, da Bolívia, caiu, e quatro outros ficaram ameaçados. Foram eles:

Nicolás Maduro, da Venezuela
Lenín Moreno, do Equador
Sebastián Piñera, do Chile
Mario Abdo Benítez, do Paraguai


Somando dados das autoridades e de uma organização não governamental, estima-se que mais de 18 mil pessoas foram detidas na região durante este ano em meio aos distúrbios políticos (em especial no Chile, onde as detenções passaram de 15 mil, veja detalhamento mais abaixo).

Os países responderam às crises na rua de diferentes formas: na Venezuela, alguns opositores foram processados na Justiça; no Chile, há a promessa de uma nova Constituição; e no Equador e no Paraguai, o governo cedeu aos manifestantes e voltou atrás de medidas impopulares.

Veja abaixo o que os manifestantes de cada país conquistaram e como os governos gerenciaram as manifestações ao longo de 2019:

Manifestantes a favor de Juan Guaidó se reuniram na Venezuela no dia 30 de março de 2019 — Foto: Manaure Quintero/ReutersManifestantes a favor de Juan Guaidó se reuniram na Venezuela no dia 30 de março de 2019 — Foto: Manaure Quintero/Reuters
Manifestantes a favor de Juan Guaidó se reuniram na Venezuela no dia 30 de março de 2019 — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Venezuela: Maduro fica no poder e oposição acaba enfraquecida
No dia 23 de janeiro, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, controlada pela oposição da Venezuela, se autoproclamou presidente interino do país. Nicolás Maduro havia tomado posse de seu segundo mandato no começo daquele mês.

Guaidó afirma que Maduro é um usurpador, e que, pela Constituição, seria ele o presidente. O líder da oposição promete o fim do regime chavista, que ele classifica como desastroso. Ele convocou uma série de passeatas e atos políticos na Venezuela.

Em fevereiro, o país viveu um conflito na fronteira com a Colômbia. Uma frota de caminhões com ajuda humanitária foi enviada à Venezuela. O regime chavista recusou a ajuda e bloqueou a entrada dos veículos. Houve protestos, sete pessoas morreram e 300 ficaram feridas. Parte dos mantimentos foi incendiada.

Segundo a organização Foro Penal, que monitora a repressão na Venezuela, de janeiro a outubro houve 2.182 prisões por motivos políticos no país — 279 foram de mulheres.

Na madrugada do dia 30 de abril, Guaidó apareceu em um vídeo com alguns soldados e o seu aliado Leopoldo López. Ele pedia aos militares para abandonar Maduro e para que os venezuelanos fossem às ruas.

Os militares, no entanto, não aderiram. Houve confrontos e quatro pessoas foram mortas.

O que mudou

A oposição perdeu força política desde então. A Justiça da Venezuela indiciou quatro deputados de oposição. O grupo ligado a Guaidó é acusado de traição, rebelião, conspiração e instigação à insurreição.

Equador: presidente volta atrás de aumento dos combustíveis
O Equador assinou um acordo de ajuste fiscal com o FMI para melhorar as finanças públicas. Pelos termos, no começo de outubro, o governo de Lenín Moreno eliminaria um programa de subsídios a combustíveis fósseis.

Com isso, o preço da gasolina aumentou e, em consequência, outros preços também subiriam. Foi isso que disparou as manifestações.

Os primeiros a responder foram os sindicatos ligados a serviços de transportes. Os estudantes aderiram, e então associações de trabalhadores e organizações de povos indígenas.

Os sindicalistas voltaram ao trabalho depois de acertar um acordo para subir as tarifas de transporte com o governo, mas os outros participantes do movimento, aos quais se juntaram opositores de Moreno, continuaram com as manifestações.

Governo do Equador volta atrás e cancela fim de subsídios a combustíveis

Os atos duraram aproximadamente duas semanas. Cerca de dez pessoas morreram, de acordo com a Defensoria Pública. O governo afirma que, de 3 a 13 de outubro, houve 1330 detidos e 1507 feridos.

O governo chegou a ser ameaçado, mas Moreno resistiu no cargo. O presidente do Equador removeu a capital de Quito para Guayaquil pela primeira vez em cem anos.

O que mudou

Em 15 de outubro, Moreno e representantes de grupos indígenas fizeram pronunciamentos em que disseram ter acertado que o preço do combustível iria voltar aos patamares anteriores ao do acordo com o FMI, e as manifestações terminaram.

Paraguai: governo volta atrás, e presidente se mantém no cargo
Um acordo fechado em maio de 2019 entre Brasil e Paraguai previa um aumento de custos para a estatal de eletricidade do Paraguai. O texto não foi revelado no país vizinho até o fim de julho deste ano. Quando isso aconteceu, houve manifestações e a oposição pediu a renúncia do presidente, Mario Abdo Benítez, e do vice-presidente, Hugo Velázquez.

População paraguaia fez protesto no dia 29 de julho em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez — Foto: Norberto Duarte/AFP

População paraguaia fez protesto no dia 29 de julho em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez — Foto: Norberto Duarte/AFP

O que mudou

No dia 1º de agosto, um novo acordo bilateral foi assinado em que o entendimento anterior foi anulado. O pedido de impeachment perdeu força. Em dezembro, Itaipu informou que Brasil e Paraguai fecharam novo acordo sobre a divisão da energia da usina até 2022.

A gestão brasileira de Itaipu afirmou à agência Reuters que o acerto alcançado “permitirá a formalização dos contratos” pela chamada “contratação de potência” da usina, mas não deu detalhes sobre como se dará a divisão da energia nos próximos anos. “O resultado das tratativas não provocará aumento na tarifa de energia em qualquer um dos países”, disse a empresa.

Bolívia: novas eleições e queda de Evo Morales
Evo Morales concorreu ao seu quarto mandato consecutivo na Bolívia. O primeiro turno das eleições foi realizado em dia 20 de outubro.

Manifestantes a favor de Evo Morales erguem bandeiras wiphala em protesto em La Paz, na Bolívia, em 14 de novembro de 2019 — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Manifestantes a favor de Evo Morales erguem bandeiras wiphala em protesto em La Paz, na Bolívia, em 14 de novembro de 2019 — Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters