Nas redes, senadora Kátia Abreu diz que chanceler age de “forma marginal”. Críticas da parlamentar foram acompanhadas por seus colegas; Simone Tebet afirmou que “Ernesto e democracia não andam juntos”.

O ataque do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a senadora Kátia Abreu (PP-TO), provocou uma forte reação de outros senadores neste domingo (28).

Nas redes sociais, os parlamentarem saíram em defesa de Kátia, criticaram o chanceler e voltaram a pedir sua saída. “Ernesto e democracia não andam juntos”, publicou Simone Tebet (MDB-MS).

O que aconteceu?
Na tarde deste domingo, o ministro publicou nas redes sociais sobre um almoço que teve com a senadora Kátia Abreu no início de março. Nele, ele alega que teria ouvido dela que se tornaria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em relação ao 5G, mas que não fez “gesto algum”.

Para interlocutores do Planalto ouvidos pelo comentarista Gerson Camarotti, o ataque direcionado à senadora, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, é um ato de desespero de Araújo, cujo cargo já estaria sendo sondado pelo Planalto.

A avaliação é a de que o ministro busca uma saída honrosa ao adotar o discurso de vítima, estratégia vista anteriormente com Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, pouco antes de ele deixar o MEC.

No Senado, parlamentares afirmaram ao blog da Andréia Sadi que veem no ataque de Ernesto uma ação “orquestrada” que conta, inclusive, com o apoio dos filhos de Jair Bolsonaro e que não passa de uma “cortina de fumaça”.

“Desvio marginal”
A senadora Kátia Abreu se defendeu do ataque de Ernesto e, em nota, afirmou que é “uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade”.

“Se um chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado de seu próprio país, com explícita compulsão belicosa, isso prova definitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira.Temos de livrar a diplomacia do Brasil de seu desvio marginal”, disse a senadora.
Repercussão no meio político
A senadora Simone Tebet foi uma das mais contundentes ao criticar Araújo e afirmou que “não há opção” a não ser sua saída. Ela disse ainda que o ministro planta insinuações e lança “sementes de joio nos campos da democracia”: “Quando menos a gente espera a democracia se vê sufocada”.