Após fazer cabelo, barba e comprar um terno rubro-negro, Marivaldo se hospeda em um hotel no Recife e acompanhará premiação no clube – que promoveu a ação com o torcedor

Marivaldo tinha o olhar incrédulo, de quem ainda não entende a dimensão que a própria história ganhou. O torcedor – que caminha 60 quilômetros e atravessa três cidades para acompanhar aos jogos do Sport – concorre ao Fifa Fan Award 2020 e teve uma dia de gala na preparação para a cerimônia do prêmio, marcada para às 15h desta quinta-feira. Em ação do clube, o torcedor foi levado para escolher um terno, vestimenta que usará para acompanhar a cerimônia. As cores, não poderiam ser outras: traje preto, com gravata vermelha. Um sonho que jamais pensou em vivenciar.

“Vesti terno uma vez, em um noivado. Meu medo é acordar, porque o que está me ocorrendo é uma coisa sem explicação. Estou super feliz. Se papai do céu fechasse meus olhos hoje, eu chegaria onde ele permitisse super feliz.”

Marivaldo fez cabelo e barba, comprou um terno – rubro-negro, porque ele não se permite usar branco -, e se hospeda em um hotel no Recife. Ele acompanhará a premiação na sede do clube. São dias de celebridade, como o torcedor tem se sentido desde o anúncio dos finalistas.Eu estou representando quatro instituições: meu município, Pombos. Em segundo, Pernambuco. Em terceiro, o Brasil. E por último, mas por último entre aspas, o Sport Club do Recife, que é a minha instituição.

Marivaldo herdou do pai, Maurício Francisco da Silva, já falecido, a paixão pelo Rubro-negro pernambucano. E esse foi o incentivo que o fez buscar uma solução para acompanhar o clube, mesmo sem dinheiro, após a falência do mercadinho do qual tirava o próprio sustento. Até porque acredita que seu apoio é determinante para os jogadores.

Em setembro de 2019, o rubro-negro provou poder fazer o que muitos duvidavam: sair de Pombos, no interior de Pernambuco, andando, até o Recife. Tinha um sorriso no rosto, porque sabia que era capaz. Quase um ano depois, Marivaldo se permite chorar. Mas não de tristeza. E sim de quem, mesmo distante das arquibancadas, por conta pandemia causada pela Covid-19, ainda pode vencer pelo clube de coração.

“Se eu vencer, vai mudar muita coisa. Porque eu não venci nada… E já mudou. Imagina vencendo? Só que não é aquela vitória obrigatória, porque vitorioso eu já sou.”